[Reportagem] Rampage Fest @ RCA Club, Lisboa, 28-11-2014

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A chuva deu tréguas, numa noite fria mas prometedora, e o RCA CLUB recebeu a tour Rampage Fest encabeçada pelos Ramp que para a festa convidaram os Blame Zeus, os Low Torque, os Skinning e os Attick Demons, compondo assim um cartaz muito apelativo, cheios de bons exemplos do que se faz de bom na cena Rock e Metal nacional.

Coube aos Blame Zeus iniciar a tour. A banda, desconhecida ainda para alguns, não se intimidou por ainda não estarem mais de 50 pessoas na sala àquela hora e lançou sobre o público o seu Rock alternativo, capaz de com subtileza tocar as fronteiras do metal.

A banda de Vila Nova de Gaia surgiu em 2010, tendo aos longos dos anos amadurecido, crescendo num percurso que os guiou ao grande álbum ‘Identity’ lançado em setembro de 2014. Todos os membros são oriundos de outros projetos musicais, experiência essa que se nota pela presença em palco e pela competência da forma como executam a sua música, beneficiando ainda da grande voz de Sandra Oliveira, mais um bom exemplo da qualidade de vozes femininas que tem surgido no panorama RockMetal português. Com uma setlist dedicada à apresentação do seu álbum de estreia, iniciaram por ‘Falling of The Gods’, seguiu-se ‘Sick’ e ‘Accept’ que demonstrou uma vocalista capaz de alguns momentos de teatralidade. ‘Clocks’ e ‘Crazy’ foram recebidos por uma plateia muito agradada com a música que lhe chegava oriunda do palco de tal modo que quando tocaram a ultima musica ‘Apprentice’, ficou no ar um lamento generalizado pelo pouco tempo que durou a atuação.
Cerca das 22h30 e já com a casa mais composta, foi a vez de os Low Torque presentearem o público com a sua música.
A banda do sul de Portugal (leia-se Palmela) trouxe para o palco sonoridades do sul norte-americano conjugadas com stoner rock, pouco comum em terras nacionais. Riffs densos e pesados e ritmos memoráveis, cantados e tocados com intensidade foram bem recebidos pelos presentes.
O vocalista Marco Resende fez questão de logo de início demonstrar a satisfação de estar a abrir para uma banda que ouvia em miúdo, apresentando-se talvez naquele palco com um incentivo motivacional extra, e motivada ficou a plateia à medida que eram tocadas músicas do álbum ‘Low Torque’ de 2012. ’Karmageddon’ deu o mote, ‘Vampires’, ‘I Versus Me’, ‘Concrete Rain’, foram provocando um crescente de entusiamo na plateia, que teve o seu ponto alto no tema ‘Hating Haters’ provocando muitos braços no ar, headbanging e aplausos que continuaram em ‘Desert Cage’. Para o final dois temas novos que farão parte do próximo álbum a ser lançado em 2015, ‘Croatoan’ e ‘Bell Witch’ muito bem recebidos pelos presentes.

Enquanto os Skinning não subiam ao palco aproveitámos uma oportunidade para fazer uma flash-interview (não planeada) com a simpática Sanda Oliveira, vocalista dos Blame Zeus: 
Songs For The Deaf Radio: como nasceram os Blame Zeus?
Sandra Oliveira: eu e o baterista tínhamos uma banda que acabou, mas queríamos continuar a tocar, começar algo novo e diferente. Convidamos os restantes membros e andamos um ano em ensaios esporádicos e só a criar. Depois saiu um guitarrista e entrou o André, em março de 2013 começamos a tocar ao vivo, depois entrou em setembro de 2013 o Vítor e ficamos com a formação atual.

SFTD: no que te baseias para escreveres as letras?
Sandra Oliveira: experiencias da vida, sentimentos e criações da minha cabeça.

SFTD: qual é o passado musical dos membros da banda?
Sandra Oliveira: já todos tivemos outras bandas, como por exemplo os Hyphen, Gangrena e Oblique Rain.

SFTD: quais são as vossas influencias?
Sandra Oliveira: muitas…Perfect Circle, Tool, Fiona Apple, In This Moment, Iron Maiden, Metallica, entre outras.

SFTD: projetos futuros?
Sandra Oliveira: promover o álbum de estreia, acabar a turné sem precisar de cuidados médicos. A longo prazo gravar um segundo álbum pelo menos até início de 2016, os Blame Zeus vieram para ficar.

O norte do país sempre nos forneceu grandes produtos de Death Metal, e os Skinning são mais um exemplo disso.
Apesar de formados apenas em 2011, contam já com muita experiencia sendo a banda de Guimarães composta por membros dos Daemogorgon e PosMortiis e com passagens por bandas como Hacksaw, Vrna, Koltum e Infernal Kingdom, contando já com um Ep ‘Beneath the Scars’ (2012) e o recente álbum ‘Cerebral Mutilation’ (2014). Influenciados por grandes nomes do Death Metal como Vader, Cannibal Corpse ou Decapitated, a sua música é pesada tocada a um ritmo frenético, assente numa bateria que metralha o público com blast beats, guitarra e baixo distorcidos, rápidos e bem audíveis e um poderoso vocal gutural, que com facilidade arrancou headbanging na plateia desde o primeiro riff do tema ‘Without Glory’ do álbum ‘Cerebral Mutilation’.
Com uma setlist inteiramente dedicada a esse álbum, excepção feita ao tema ‘Skinning’ do EP ‘Beneath The Scars’, o trio arremessou um sucessão de malhas, ‘Mass execution’, ‘ Acclaimed blood’, ‘Punishing For Spreading Lies’, ‘Infested Land Of Decomposed Corpses’ e ‘Slumber of Madeness’ sem dar tempo ao público para respirar ou abrandar o headbanging. A competência com que se apresentaram em palco fez com quem ninguém tenha sentido falta de mais uma guitarra e que aquando da sua saída de palco, tenham-se ouvido muitos aplausos e pedidos por mais.
Passava já da meia-noite quando subiram ao palco os Iron Maiden portugueses, comparação não depreciativa mas sim elogiosa, tal é a qualidade do Heavy Metal que os Attick Demons produzem.

Já com uma sala perto da lotação e beneficiando de uma elevada percentagem de público afeto à sonoridade da banda, foi evidente o impacto positivo que os temas do álbum Atlantis (2011) tiveram na platéia.
Ao segundo tema ‘Atlantis’ já eram muitas as vozes que cantavam com a banda, ‘City of Golden Gates’ antecedeu um dos momentos altos da atuação, ‘Flame of Eternal Knowledge ‘, que provocou momentos de êxtase na plateia e deu o mote para um resto de concerto de comunhão banda e público.
Foi com aplausos, braços no ar e vozes bem audíveis que o público acompanhou a execução irrepreensível com que foram tocados temas como ‘Listen to The Fool’, o sempre muito aplaudido ‘Riding The Storm’ ou a nova ‘Ghost’. O vocalista Artur Almeida transmitia uma boa disposição e prazer em atuar contagiante, apoiado na sua excelente voz conduziu os presentes até mais um grande momento quando para finalizar o espetáculo cantou ‘The Believer ‘ do EP ‘Attick Demons’ (2000) cantado em uníssono.

A noite era dos Ramp, a veteraníssima banda nacional (25 anos de carreira) é já um símbolo do rockmetal nacional, um exemplo de resistência e dedicação, são já cinco álbuns, dois EP, uma compilação, um álbum ao vivo e vários singles de bom Heavythrash Metal.
O nome maior e cabeças de cartaz da Rampage Fest, tinham à sua espera um público salivante por os ver e ouvir. A setlist concedia uma oportunidade para viajar pela sua longa carreira, mas apesar de extensa deixava obrigatoriamente algumas boas malhas de fora. Os primeiros acordes de ‘In Sane’ ecoaram nas paredes da sala e ninguém pode ficar imóvel, perante um público já bastante desperto pelas bandas anteriores. o tema ‘Single Lines’ mereceu a primeira grande reacção do concerto tendo sido recebido de braços no ar, soltando headbangings que só terminariam no final do espetáculo. Aos temas tocados o público respondia com uma torrente de moshes e vozes afinadas que não hesitavam em acompanhar o vocalista Rui Duarte.
Para muitos aquelas letras já os acompanhavam há anos numa demonstração de como fãs e banda cresceram juntos, envelhecendo mas mantendo uma proximidade muito especial, cimentada ao longo dos anos.
Se temas como ‘Blind Enchantment’, ‘How’, ‘Hallelujah’, ‘Follow You’, ‘Through’ e ‘Black Tie’ foram acolhidos com evidente satisfação, as covers ‘Anjinho da Guarda’ (António variações) e ‘Walk Like an Egyptian’ (Bangles) não ficaram atrás nas reações, tendo mesmo o tema ‘Anjinho da Guarda’ provocado um dos maiores mosh pit da noite.

Toda a banda demonstrou que os anos tem sido benéficos no modo como apresentam a sua música em palco, com rigor técnico de uns veteranos mas mantendo o vigor e frescura de quem parece envelhecer mais devagar, fechando em grande com os temas ‘Fuck You’ e ‘Try Again’, tendo por isso saído de palco debaixo de um coro de aplausos, passava já das 3 horas da madrugada.

Final de noite e a boa notícia é que a Tour Rampage Fest só agora tinha iniciado, seguem-se mais dez datas (ver abaixo) pelo país fora, oportunidades para celebrar a boa música nacional e ver uns Ramp em muito boa forma.

Vejam aqui os vídeos dessa noite, bem como todas as fotos no nosso facebook.

Texto e entrevista: Henrique Duarte
Fotos e vídeos: Nuno Santos

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