Em plena época de festivais pseudo-rock em Lisboa, o rock pleno foi a banhos à Costa de Prata e estendeu a toalha de praia no areal da Praia de Quiaios na Figueira da Foz.
O primeiro dia, 17, arranca ligeiro e para quem entra no recinto e ouve os THE ZANIBAR ALIENS, fica surpreendido pela qualidade e harmonia da sonorização que coloca a fasquia já a um nível alto. Rock bem estruturado, com batidas bem características, solos bem construídos e a voz de Carl Fernandes faz lembrar algumas vozes do rock britânico bem conhecidas. Devil’s Lullaby foi uma das malhas que juntou várias influencias e levando os presentes a saborear sensitivamente apontamentos dos anos 70 e 60 e arriscaria-se mesmo a considerar uns picos de blues em alguns solos. Um arranque surpreendente feito por esta banda lisboeta que colocou a fasquia num patamar que prometia um festival com um nível elevado de puro rock.
Se a fasquia já ia alta os The Black Wizards deixaram com certeza o pessoal de boca aberta. Uma crueza impressionante de sonoridades, algo que de tão simples e tão bruto e puro rendeu quem estava presente. Esta banda do norte presenteou o festival com sonoridades ao nível das memórias dos grandes mestres de referência possibilitando viajar no tempo. Blues ritmados, solos a puxar o psicadélico dos anos 70 a harmonia da voz ora rasgada ora quente e muito sexy para a tenra idade que aparenta a vocalista. O tema I don’t belong here soube a mel é o que há a dizer. Este trio composto por Joana Brito, Paulo Ferreira e Helena Peixoto mostraram que 3 é a conta certa. Encheram o palco e preencheram o recinto com um rock que é difícil de encontrar a rolar nas rádios de renome neste país. Uma perfeita delícia para quem goste dos clássicos como Hendrix, Cream, Black Sabbath, Led Zeppelin e Janis Joplin.
ASIMOV terão sido a banda mais alternativa e original da noite. Chegados do Cacém, brindaram com o som mais psicadélico, experimental e puxado da noite. Este duo composto por Carlos Ferreira e João Arsénio lançou-se em palco e proporcionou uma sessão instrumental bem arrojada. Influências do rock psicadélico dos anos 70 bem presentes mas com uma roupagem bem construída. Um bom momento de festival para ganhar fôlego para o resto da noite.
Os Stone Dead estiveram bem, estiveram mesmo muito bem. Um rock sólido, uma presença em palco confiante e forte. Uma sonoridade sem margem para reparos. Rock forte, embalado, constante, puxado e com picos de arriscado. Em Alcobaça rocka-se bem. Não há muito mais a acrescentar.
Para quem não aproveitou ou chegou perto da abertura de portas no 1º dia a piscina da praia de Quiaios, para além do desconto, tinha música e um concerto Chill-out para os festivaleiros a cargo de Mariya Lomakova (Dj John on a Red Dress) e dos Drum&Didge . 18 de julho, segundo dia, foi pensado para recuperar da noite anterior e repor energias para uma noite que só podia prometer mais.
Quem diz que da Noruega só vem bacalhau, creme para as frieiras e frio está muito enganado. Os Captain Kill aqueceram a noite num arranque de alta qualidade. Com uma pontualidade nórdica (típico) deram o tiro de partida com reportório do seu álbum Vanilla Gorilla. Um rock arrastado, bem cimentado, harmonioso e muito bem construído. Uma alta performance com boas vibrações que conquistou os presentes e que quem se atrasou devia penitenciar-se por ter perdido. Surpreenderam não só pelo rock bem armado de boas guitarradas com acordes rasgados, batidas certeiras e vozes bem possantes e arrastadas mas também pela simpatia que transpareceu do palco. Sem dúvida uma banda a registar.
Os V8 Bombs tomaram o palco e não enganaram ninguém, serviram rock puro da velha formula que estamos habituados aos ambientes do mean, bad, tipic rock dos Café Racers. Uma formula bem enraizada com uma sonoridade bem agradável que não dava para resistir a um pézinho de dança ou um abanãozinho de corpo aos mais resistentes. Rock a abrir para a malta curtir foi a atitude geral do festival durante a performance da banda. Se a temperatura já estava quente, aqueceu mais um pouco para contrariar a cacimba que teimava em cair.
Quem não conhecia SOUQ com certeza que ficou com a expressão WTF????!!! na cabeça (se não saiu pela boca fora). Esta banda deu um outro nível ao 2º dia do festival, senão ao festival completo. Com toda a certeza o momento mais surpreendente do festival, fosse pelo aparato da quantidade de instrumentistas em palco, fosse pelo resultado. O trombone e o saxofone trouxeram surpresa e trouxeram uma qualidade e pujança aos temas que não passaram despercebidos a ninguém. Uma mistura de influências que resultaram em palco e funcionam muito bem na sua música. A coordenação, o dinamismo e a sonoridade para além de fazerem daquela noite ao mais alto nível como também, com certeza, angariaram mais fãs para a banda e para o festival. Desert Snake Catcher foi um dos temas da noite não desprezando os restantes temas do álbum “At La Brava” que foram apresentados. O rock português está de muito boa saúde, está arrojado e recomenda-se.
Com ar maduro e bem batido nas lides de palco os D3O serviram com classe um rock típico electrizante e cheio de energia. Uma fórmula bem construída que conquistou e colocou o recinto a dançar. Boa disposição, alegria e boa música. Uma performance irrequieta e Toni Fortuna esteve ligado à corrente durante todo o tempo que esteve em palco e não deixava a banda desacompanhar. Uma delicia para olhos e ouvidos que contagiava todos os presentes.
Directamente dos “States” e já com passagem por Lisboa e Porto os The Bellrays trouxeram o soul no rock e algum cansaço. O qual tivesse na causa de passarem o reportório sem pausas nem grandes paleios. Com postura séria e profissional (não desfazendo nenhuma banda) não criaram grande ligação com o público. Uns verdadeiros performances à americana. Rock muito bem tocado e de alto nível com muita alma soul e blues na potente voz de Lisa Kekaula, a encarnação do power da “Black Magic Women” de Jimmy Hendrix. Robert Vennum acompanhou e desafiou na sua estrilhosa e potente guitarra. O festival não poderia ter tido melhor desfecho numa noite que surpreendeu e agradou os presentes. Talvez tenha sido uma actuação rápida demais para o que é hábito nos palcos lusos mas não faltou o encore depois das suplicas do público.
Considerações finais:






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